segunda-feira, 14 de março de 2011

Frio e feio dia de março.

Massa de ar polar
entrando pela janela
devagar, lá vem ela:
abraça-me me enregelando!

Desgraça de dia feio
feito sem cor, sem graça.
É o céu cinza sobre tudo
e o agudo frio da brisa.

Frio fora, frio dentro
desalento sem desforra.
Que demora esse tempo

Passa perto, passa lerdo
verso ruim, sem calor:
o autor amassa e põe fim.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O céu lá fora.

O céu la fora é tão turvo quanto a clareza dos meus pensamentos. Nenhum alento. Se vem chuva, não sei. Mas o Sol se foi. De folga também? Não, só eu. O Sol se mostra noutro lugar. Para os lados de cá, às vezes aparece - "visita de médico!" - e logo se vai. Dá-me um pouco de sanidade, aviva as brasas do vapor, e lá me vou singrando contra a correnteza.
Mas e o Sol que noutro lugar penso estar a brilhar? Quiçá, sei eu algo de lá? Há! Se não foi arrancado, então com lâmina partiu-se, o tênue fio daquilo que chamou-se por conexão, telepatia, etc. Tenho uma cachola de engenhocas a produzir, assim que viro as costas, supertições. Pois nada sei.
Somos a nós mesmos o que nos convém ser. Não há como fugir - a sinceridade e a verdade vem de fora. Aquelas que trazemos conosco, nem sempre deixamos a mostra aos nossos próprios olhos.

O que melhor ensinamos é o que mais precisamos aprender.
(acho que é assim que ouvi).

domingo, 6 de março de 2011

Hai Kai

Errado esteja eu
mas no breu cerrado
o passado jazeu.

sábado, 5 de março de 2011

Ainda não

Não me espanto. Pois é fato - e já esperado. Ainda não estou pronto. Ainda não obtive a solidez, ainda não caminho com firmeza, ainda não respiro sem vez por outra suspirar. É que o roubo foi grande, as palavras foram duras, as verdades verdadeiras farpas sutis, insensíveis. Sei das besteiras que escrevi e disse, nem falo das que pensei ou supus. Mas quanta incoerência li, ouvi e concluí. Ainda não me sinto forte de todo. Ainda não consigo não pensar. Ainda não me soltei do nó "necroso" que me prendia a perna. A corda rompida de arrasto levo. Mas ali está o nó, não mais que um nada frouxo - firme e incômodo. Reprimo-me e num ato de quase insanidade, primeiro me insulto, depois insulto à lembrança - e frustro-me. Passado o arrombo, sigo. Ainda não...