O pintor larga o pincel, exausto. Quantos cartazes fizera naquela semana! "Promoção", palavra em negrito e letras grandes, bem podia dizer estar queimada em sua retina. Fechou os olhos, que ardiam um pouco. "Promoção", surgiu agora em branco, contra o fundo preto. Olhou a pilha de folhetos. Logo atrás, inacabada, sua tela do gramado aparado de flores belas, grama verde, trilho de pedras... Bela cena! Pena tal tela levar tanto tempo para render-lhe o que os cartazes de promoção lhe rendiam. O custo porém, vai além das tintas: aprisiona o prazer de pintar, postergando o desfrute de pintar pela arte. Infelizmente, a fome do estômago acusa-se mais aguda do que a fome da alma: mas esta última também mata.
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Esta crônica estará no site Opinião & Arte - acesse: http://opiniaoearte.com.br/?p=669
Eis aí algumas linhas do que penso ou sinto, exposto pelo gosto que tenho pelo escrever. "O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros." (Confúcio).
quarta-feira, 25 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Há, não há como negar
Há uma lógica por trás de tudo. Um plano traçado, pelo menos até certo ponto, por não menos do que um Observador privilegiado, que contempla a criação, talvez a Sua criação, de um ponto de vista fora do nosso alcance. Vou saber eu pelo que esperar? Só sei que da vida posso esperar tudo - e me surpreender sempre.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
Materialização
O que escrevo pode ser o que espero, o que sinto estar por vir - o fruto imaturo adocicado pela ansiedade, colhido pela voracidade do desejo, porém, por ora, provado em devaneio de puro "supor".
À cena, sem cenário certo, sem hora, sem saber: chega até mim, ou eu que vou ao encontro. Chega e sorri, mas se sorri por fora não sei se há o mesmo sorriso por dentro - pode ser, inclusive, mais radiante do que o que posso ver. Se é maior que o meu sorriso, nem eu sei o quão radioso o meu sorriso será. Só sei que sorrio só, só em pensar naquilo com que sonho.
Mil quilômetros agora se resumem a três passos. Ou a trinta metros ainda - a imprecisão nem sequer toma tempo ou distrai meus pensamentos. Se corri, se caminhei, ou se esperei, já não importa. Mil quilômetros há muito são agora apenas milímetros de tecidos a separar dois corpos.
O que sinto? Cheiro? Vejo? Toco? Do presente do indicativo ao futuro do presente, o que sentirei, cherarei, verei, tocarei? Com que gesto, força, ou ordem? Não sei, não sei... mas, o que ouvirei? Terei como ouvir? Isto, posso providenciar.
"Baby it's you"? Sim, ótima escolha.
"What can I do? And it's true
Don't want nobody, nobody
Cause baby it's you"
À cena, sem cenário certo, sem hora, sem saber: chega até mim, ou eu que vou ao encontro. Chega e sorri, mas se sorri por fora não sei se há o mesmo sorriso por dentro - pode ser, inclusive, mais radiante do que o que posso ver. Se é maior que o meu sorriso, nem eu sei o quão radioso o meu sorriso será. Só sei que sorrio só, só em pensar naquilo com que sonho.
Mil quilômetros agora se resumem a três passos. Ou a trinta metros ainda - a imprecisão nem sequer toma tempo ou distrai meus pensamentos. Se corri, se caminhei, ou se esperei, já não importa. Mil quilômetros há muito são agora apenas milímetros de tecidos a separar dois corpos.
O que sinto? Cheiro? Vejo? Toco? Do presente do indicativo ao futuro do presente, o que sentirei, cherarei, verei, tocarei? Com que gesto, força, ou ordem? Não sei, não sei... mas, o que ouvirei? Terei como ouvir? Isto, posso providenciar.
"Baby it's you"? Sim, ótima escolha.
"What can I do? And it's true
Don't want nobody, nobody
Cause baby it's you"
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
Mudanças
A tal correria, pela qual supliquei, enfim chegou. Chegou junto a tanta coisa que dei-me por conta do quanto estou envolvido - não há tempo! E tanta coisa por fazer...
Sinto uma mudança brusca já não operando mais em surdina - caminha pisando firme, no soalho barulhento dessa pensão em que vivi nos últimos meses. Entro "neste quarto" e ainda vejo aquele "réptil", agora enrosacado em um canto, abandonado ao encontro dos dois rodapés. Ele ainda ensaia sair dali, ousa fazer tal menção. Mas já não tem força, já a sua repugnância provém do miserável ser que fora - pois vem deixando de existir, deixando de ser - não mais provém de sua aparencia patética. Vejo-me, e como era impensável isso, insultando este "réptil", aceitando-o como tal.
E este é meu expurgo.
Sinto uma mudança brusca já não operando mais em surdina - caminha pisando firme, no soalho barulhento dessa pensão em que vivi nos últimos meses. Entro "neste quarto" e ainda vejo aquele "réptil", agora enrosacado em um canto, abandonado ao encontro dos dois rodapés. Ele ainda ensaia sair dali, ousa fazer tal menção. Mas já não tem força, já a sua repugnância provém do miserável ser que fora - pois vem deixando de existir, deixando de ser - não mais provém de sua aparencia patética. Vejo-me, e como era impensável isso, insultando este "réptil", aceitando-o como tal.
E este é meu expurgo.
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