O pintor larga o pincel, exausto. Quantos cartazes fizera naquela semana! "Promoção", palavra em negrito e letras grandes, bem podia dizer estar queimada em sua retina. Fechou os olhos, que ardiam um pouco. "Promoção", surgiu agora em branco, contra o fundo preto. Olhou a pilha de folhetos. Logo atrás, inacabada, sua tela do gramado aparado de flores belas, grama verde, trilho de pedras... Bela cena! Pena tal tela levar tanto tempo para render-lhe o que os cartazes de promoção lhe rendiam. O custo porém, vai além das tintas: aprisiona o prazer de pintar, postergando o desfrute de pintar pela arte. Infelizmente, a fome do estômago acusa-se mais aguda do que a fome da alma: mas esta última também mata.
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