Sinto meus pés molhados, gelados. Chove daquele jeito que deixa claro que não irá parar tão cedo. O fim de semana nem chegou e eu já sei que a segunda-feira vem aí, com toda a sua verdade. Mas o que foi que eu fiz? Que loucura foi essa? Tem horas em que penso que não passo de um fraco. Fugi, incapaz de ir além. Porém, o que posso fazer? Pedir aplausos por ser um zumbi guerreiro, acordando cedo, dormindo tarde, definhando aos poucos, amordaçando o que sinto e penso? E como é frio o vento que fustiga o rosto que se eleva livre enfim!
Torço para que seja apenas um momento passageiro. O que fiz, está feito. O que quis, ainda quero. Mas pra ser sincero, tem alguns momentos em que quase me desespero. Que loucura a minha! O que pensaram, sentiram, os escravos libertos, diante da porta aberta da senzala? Tenho medo do destino que muitos encontraram, livres do chicote, não menos livres da fome.
Penso forte: é só um momento. Pra variar, extravaso aqui. O que me manteve em pé foi poder escrever, muitas vezes às escondidas.
Revigorante é lembrar daquele sorriso, que chegou até mim pelo acaso, no tropeço sem querer, nestas "algumas linhas" por aqui... O que eu não daria por um colo e carinho no cabelo agora? Só pra acalmar o coração, fugir um pouco desse medo. Sei que logo passa.
O que fez? O que milhares de pessoas gostariam de fazer... procurar fazer o que se gosta e impedir que a mente do indivíduo seja regredida ao regime feudal, pois uma vez condicionada a isso, nunca mais será a mesma, volta-se ao tempo dos Patrícios e Plebeus, ou coisa pior... Você disse basta a mediocridade, teve coragem para arriscar e não fez parte da fila de indivíduos pobres de espírito que não ousam gozar muito, nem sofrer muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece a vitória nem a derrota.
ResponderExcluirDeixo um pensamento de Bertold Brecht:
“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.”
Beijos!!!
muitas vezes pra viver e vivendo a vida plena e intensamente é preciso ter coragem, saber quebrar a cara mil vezes e mil e mil vezes retornar, recomeçar, vivendo...
ResponderExcluiro seu texto é bom e o brecht também. muito bom é claro!
abraços fartos amigo