quinta-feira, 27 de setembro de 2012

"Jogar âncora!"

  Na vida tudo tem um preço, e cada ida tem sua volta. Não acho justo certas coisas, mas no fim das contas - e bem antes disso - aceito. De qualquer forma, não há outro jeito: o que sentimos não exige explicações, justificativas, embasamento bibliográfico ou artigos de referência. O que sentimos, na maioria das vezes, não norteia o que fazemos: desnorteia. Desorienta.
  Do dia para noite, sou tomado de uma saudade, daquela vontade de fazer surgir um diamante diante da força do abraço que o corpo deseja dar e receber. Diamante a ser lapidado entre beijos e carícias ao longo do dia - dia este que não se cogita a hipótese de ter fim. Ornamentar esse diamante com delicados detalhes em prata e ouro - versos e juras, de amor, de carinho, de proteção, de admiração e respeito. Vontade de presentear meu amor com tal mimo todos os dias...

... mas aceita-se esse presente? Não. É desejado? Cobiçado? Tampouco... soa como desdem? Não para tanto, mas tanto faz. Transbordo de sentimento, que sequer toca o solo do que me parece um deserto - e volta a natureza na forma de vapor, que condensa no céu e chove em meu rosto, nas lágrimas que não vês, pois o "saberes" delas só o teria, se ao teu solo chegassem meus sentimentos.
 Entretanto, é deste deserto que extraio os diamantes rudes com que me distráio - tentando dar-lhes uma forma, embora tosca, que possa ser apreciada por ti um dia.

Desabafo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Segunda de segunda

Sabe carne de segunda? Aquela que se compra para o almoço da semana? Nada de especial. Almoço de rotina, segunda sem osso. Essa é esta segunda-feira: segunda de segunda, sem osso. Tem feriado na quinta feira e - grande coisa - é segunda-feira do mesmo jeito.
Descobri-me um hipócrita. Critíco quase tudo aquilo que acabo fazendo igual. Desagradam-me as atitudes dos outros que eu mesmo tenho. Condeno certos erros alheios - que os cometi/cometo com a mesma aparente indiferença com que os outros os cometeram.
 Estou chateado, sem saber ao certo com o que. Acordei de mal com o mundo, de cara comigo mesmo. De saco cheio de mim mesmo, do trânsito, etc, etc etc. Agradeço só por ainda ser apenas uma segunda sem osso.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Maldito veneno

Existe um veneno mortal, que alguns de nós carregam consigo. Eu o carrego. Um veneno capaz de provocar dor, surtos de depressão, uma vontade de rasgar o peito com as próprias mãos e tirar seja lá o que for que está lhe corroendo por dentro.

Este veneno não é nocivo em pequenas doses. Quase sempre, entre o veneno e o remédia, a diferença está na dosagem.

Uma espécie de bichinho pequenino, do tamanho duma pulga, que fica atrás de uma de nossas orelhas, carrega esse veneno. Todos estamos sujeitos a um dia carregar um desses bichinhos.
É quase como o mosquito da dengue: o mosquito está em vários lugares, mas nem todos estão contaminados. Neste caso, nem todos carregam o mesmo veneno.

Há, aliás, duas variedades bem conhecidas do tal veneno: uma, chamada de ciúme. Outra, de inveja.

Hoje, fui novamente picado pelo bichinho do ciúme... e esse bichinho segue ali, atrás da orelha. Espero, desejo, torço, rezo, para estar errado. Pois se eu estiver certo - e não estou - vai doer muito a próxima picada.

Deus queira que eu esteja errado. Detesto "ferroadas".

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Hmm... H. P. Lovecraft

Não, não ousarei discorrer sobre este autor. Apenas ouvi um podcast sobre e me interessei. Histórias de terror? Hmmm... ensaiei alguns passos, anos atrás, no tema. Ou melhor, ensaiei algumas muitas linhas sobre... num conto que virou um conto de muitas páginas, chamado "Besteria".
 É, diante de algumas críticas e mudanças na minha vida, aquele conto perdeu um pouco do sentido. Era uma daquelas coisas que eram escritas para expurgar alguns ímpetos - não, você que está lendo isso e leu aquilo, definitivamente não: eu não fiz, não presenciei nem penso em fazer aquilo!
 Hehehe. Curiosidade. Foi exatamente o que levou a personagem principal a embarcar naquela história não acabada!
 Puts! Livro... gostaria muito de escrever um. Mas, tempo de onde? Quis também criar um jogo - mal tenho tempo de jogar os jogos prontos.
 Não sei se lerei Lovecraft. Possivelmente não. Ainda não terminei de ler Crime e Castigo.

domingo, 8 de julho de 2012

Equilíbrio

Acredito ser a primeira vez em que penso de maneira séria que a busca por equilíbrio na minha vida passou a ser incondicional. Obter ou sucumbir. Neste último instante, derradeiro momento, fim do extremo: ou ter, ou não ter. Oito ou oitenta.
 Em retrospecto, cada fase da minha vida teve um foco exclusivo. Algumas fases curtas, outras mais duradouras, de meses à horas, o foco era um só: ou o namoro, ou o emprego, ou o Escotismo, ou a bicicleta, ou a música, ou a escrita, ou os hobbies.
 A vida parece começar enfim, a cobrar o preço disso. Preciso aprender os malabares do equilíbrio agora, pra ontem, para semana passada, para quatro semanas atrás. Aprender a dizer "não". Pensar antes de me dispor. Equilibrar a razão - financeira, matemática, cronológica, lógia - com a emoção - passageira, duradoura, forte, fraca, verdadeira ou falsa.
 Noutros momentos já expressei o achado desta encruzilhada: equilíbrio ou queda. Entretanto, é a primeira vez que chego nessa escolha de percurso com serenidade suficiente para levar a sério e agir com o acúmulo de maturidade - o juntar das migalhas ao longo do tempo que vai passando.
 Supor sobre o que escolher se eu tivesse escolha é um exercício desnecessário e repetido: o momento de escolha existe a todo o instante. E dizer "não" é uma escolha. Dizer "não" não significa desejar menos algo - é priorizar algo que se deseja mais. O "não" não descarta - a sinceridade dá o crédito - mas o "não cumprir satisfatoriamente com o sim" mina o crédito.
 Ainda analisando o prognóstico, de todos os focos - ou ao menos na maior parte do tempo - nenhum deles foi "eu". Podiam ser "minhas coisas", mas sempre por outras pessoas. O "meu tempo", não lembro de ter tido - quiça horas minhas.
 Escrever, por várias vezes foi um "escrever pra gringo ler". Embora outras tantas foi um "escrever por mim".

domingo, 20 de maio de 2012

Que dia foi aquele... ontem?

Escrevo hoje pelo dia de ontem - já agradeço por poder escrever sobre ontem, assim de cara. Pois vou escrever sobre ontem, o dia em que acordei para ir ao centro - pois moro no interior - para cortar o cabelo e depois passar numa loja e trocar um sapato. Ontem, depois de voltar do centro, eu ia lavar minha moto, que havia pego na autorizada na sexta-feira - esta suja já de semanas e merecia uma boa lavada.
 Ontem, depois de lavar a moto, ia pôr no papel a atividade de sábado nos escoteiros, para onde iria depois de almoçar. Voltaria dali duas horas e meia, tomaria um banho, faria a barba e teria talvez um momento de ócio. Ficaria brincando no celular, rabiscando coisas para a atividade de domingo, enfim... faria o tempo passar até mais tarde, quando me encontraria com um amigo para elaborar um dos jogos de domigo - também para os escoteiros.
 A namorada havia combinado com uma amiga para irem à pastelaria - pois eu estaria ocupado na noite de ontem. E, depois desse dia cheio, precisamente nesta hora, eu estaria deitado em minha cama, dormindo.
 Quis porém o dia de ontem tomar outro rumo - e porque não? - rumo este que resolveu mudar quando saí de moto para cortar o cabelo e trocar o sapado, no exato momento em que convergi em uma rotatória, no instante em que olhava para o lado de onde poderia vir algum carro - para certificar-me de que não vinha nenhum - segundo e meio depois, em que acelerei a moto e olhei para a frente, para onde eu ia - pegar a antiga RS122 e - neste momento - vi, saíndo do lado de onde nada poderia sair, um ciclista. Tentei e não consegui. Soube mais tarte que ele tentou e, também não conseguiu. Antes de cortar o cabelo e trocar o sapado, bati em um ciclista, me esborrachei com a moto, quebrei os dois alertas, entortei o estribo que havia posto novo na sexta, arrebentei o joelho - o mesmo joelho que arde agora e que vai dificultar as coisas hoje pela manhã quando eu acordar.
 E o ciclista? Tanto rezo quanto penso que agora deva estar bem. Machucou muito o ombro. Estava imobilizado na maca no último momento que o vi, quando troquei algumas palavras cordiais com ele, logo depois do que saí mancando do hospital. O que ele tinha planejado para seu sábado? Não sei. Só sei que a gente às vezes fala com o olhar perdido das pessoas que cruzam nossos caminhos durante a vida... puta que pariu! Não precisam cruzar de bicicleta na minha frente!!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sessão de descarrego

Vim aqui pra cuspir palavras tortas num post em branco. Despejar um pouco desse lodo que me sufoca, dizer algumas heresias, expurgar alguns demônios. O doente convencional, na dor grita. O doente literário, no furor é verborrágico.
Soa tanto como hemorrágico que presumo haver alguma semelhança, esses tair radicais, sufixos, prefixos, crucifixos do idioma, da linguagem, da semântica, da linguistica e do caralho a quatro que nos tirou a trema!
Saudosa trema, é do meu momento sem estribeiras que lhe rendo um poema:

Trema, persistes,
por teima minha.
Em poesia que componho,
 o acento, é eu que ponho:
Cinqüenta Pingüins!

Horrível, mas já de antemão avisei que não era para ser agradável. Já me disseram isso, a guisa de preâmbulo para uma ou outra conversa. Foram palavras sinceras, pois o que veio depois, de agradável nada teve.

Fizeram um bacanal com o hífen, que já nem sei onde enfiá-lo. Vou dormir, pois até aqui, até minha pacência já foi para o ralo.

terça-feira, 6 de março de 2012

Gelo gira, no copo que se esvai...

Duas pedras de gelo. E whisky 12 anos sobre.
O gelo gira, no copo que se esvai.
Num gole finda, e o sono já vem.

domingo, 4 de março de 2012

Misantropia?

Hum... misantropia, uma doença? Não acho... para mim, está mais como um estilo de vida. Da mesma forma que aqueles jargões do tipo "Coca-cola é um estilo de vida".

Domingo à noite, ouvindo You won't see me (Beatles, claro...), terminando de configurar o computador de um amigo... Sim!! Os tenho, evidentemente. Porém isto não me priva da minha misantropia habitual.

Como estou, sempre que possível, com os pensamentos viajando em mundos imaginários... criei um personagem que hei de usá-lo em algum conto ainda... Chamo-o, por ora, de Jophs.

Jophs possui um cachimbo mágico, no qual basta apenas colocar fumo no fornilho e sair pitando, sem precisar de fósforos ou pederneiras. O cachimbo cria o braseiro magicamente.
Jophs é um contador de histórias e está sempre acompanhado de seu cachimbo - do qual muitas das histórias se originam: da árvore da qual veio seu briar e das pessoas que trabalharam com a madeira dessa árvore. Como conta apenas histórias para as crianças da vila, estas não são capazes de desmontar os móveis todos e as portas e janelas construídas com a aquela única árvore, para comprovar o improvável.
 Certa vez, Jophs fora "visitado" por salteadores, que ameaçaram quebrar-lhe os ossos se não os dissesse onde estava sua arca com sua fortuna. O cachimbo de Jophs, revelando mais uma de suas magias, começou a expelir fumaça sem parar, logo encobrindo Jophs e os demais no salão. Era tanta fumaça que era impossível ver à volta, tampouco respirar no ambiente. Quando por fim a fumaça foi dissipando-se, Jophs não estava mais  no salão.
 E muitos viajantes chegavam àquela vila e, em meio as conversas de taberna, acabavam comentando sobre um certo ansião, dono de um cachimbo mágico, que contava histórias em uma longínqua vila, a qual nunca sabiam precisar e parecia sempre estar em direção oposta ao que relatara o último viajante.

Ufa... fazia tempo que não despejava um conto assim!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Tanto tempo, mesmo assim, muito menos

Tanto tempo, mesmo assim, muito menos do que eu gostaria. Às vezes - e quase sempre - a gente corre, foge, cego e sem rumo, e cansa há poucos passos do problema.
Corri até aqui. Pra dizer a verdade, parei de correr faz um tempo. E hoje em dia já retomei meu passo constante, minha caminhada apressada de sempre.
Sei lá, é tão estranho ler teu blog hoje e sentir aquele misto de saudade e tristeza, mas saber que aquela ferida já sarou, já descascou sem que lhe arrancasse distraído a casquinha...
 Não sei o que se fez dos ecos das minhas palavras - talvez orelhas tampadas? Ou bocas, por força, fechadas? Não sei e pouco importa agora. Estou de volta.