Eis aí algumas linhas do que penso ou sinto, exposto pelo gosto que tenho pelo escrever. "O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros." (Confúcio).
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Marcando passo
Não vou me permitir fantasiar as coisas assim tão facilmente. A situação podia ser ruim, eu podia estar noutra sintonia, muito deprimido e desgostado. É fato que vivo um momento singular dentre tantos outros momentos destes poucos 23 anos que constituem minha vida. Porém tem horas em que me parece fugirem do meu controle meus pensamentos. Insitem em vagar por bandas que já tratei de rabiscar em meus mapas como locais ermos. Faço apenas pouco caso do que tentam me mostrar. Às vezes, me atentam com impulsos de volver atrás, de dar uma "olhadinha" logo ali - é preciso concordar com "ela" : é muito provável que eu seja um masoquista.
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
Deixando o tempo passar
Confesso que há momentos em que manter a clareza das idéias e continuar caminhando tornam-se tarefas complicadas, exigindo delicada precisão. Um deslize pode comprometer toda a estrutura emocional. Espanto-me diante da constatação de que me deixei chegar a tal ponto. Uma vulnerabilidade e uma instabilidade emocional muito grandes, uma variação de humor constante, a intercalação de ânimo e desânimo. Quase todas as noites eu tenho sonhos. Quando acordo, acordo um tanto deprimido. Colocando-me em movimento - e aqui já começa o esforço contra a inércia - meu humor vai melhorando. Nas primeiras horas do dia preciso me concentrar para vigiar os pensamentos que me ocorrem. Preciso desviar a atenção de algumas idéias e focar noutras. Conforme vou me movimentando, seja caminhando, seja sentado no ônibus, vou ganhando mais força. Quando estou em meio a mais pessoas, mesmo que indiferentes, pessoas estranhas, o "clima parece mudar". Lá pelas 17h da tarde, sinto-me forte novamente. Consigo, mais tarde, deitar e dormir sem muitas angústias ou nenhuma. Mas ao chegar em casa, já recomeça o exercício de auto controle quanto aos sentimentos e pensamentos. Acho que pela manhã eu acordo com a defesa baixa e meu cérebro logo remete ao passado, às situações semelhantes, a pouca claridade, o vestir-se com a luz apagada, o sair sem fazer barulho, o olhar para a cama antes de fechar a porta, murmurar algumas palavras, e sair pensando na hora de chegar de volta para ver se naquele dia sobrariam-me migalhas. Agora, só o levantar pela manhã se assemelha. Mas nosso cérebro é uma coisa complicada de entender. Por isso, de manhã é minha hora mais crítica. Espero que o tempo passe logo e eu possa sobrescrever isso tudo e viver por completo mais feliz.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Eu depois
Sentado me vi ao pé duma árvore, em meio a tantas outras, encharcado até a alma por aquela chuva torrencial. Era noite e mata fechada quando os estrondos ao longe chegaram perto e o temporal se fez medonho. Pouco lembro do muito que corri e do quanto me arranhei. Mal lembro do céu no qual as nuvens agourentas assomavam no horizonte, pouco antes de entrar e me perder nesta trilha. Trilha errada, já de início. E que trilhei e trilharia novamente, pois ali pude me ver fraco e pequeno como era preciso para aceitar refletir sobre minha visão deturpada das coisas. Porém a jornada foi dura, embora pude sorrir em vários momentos. Agora ali, sentado sobre o chão tão molhado quanto eu, pude sentir finalmente o cansaço. Vi também a nesga de céu límpido ampliar-se num largo firmamento a cada instante mais estrelado. Terminou. Embora a hora ainda traga sobre mim um céu de momento escuro, sinto que logo a aurora há de surgir. Sôfrego mas firme, ponho-me de pé. Lamento pelas fraquezas de certos momentos, que me levaram à injustiças. Porém é hora de seguir adiante. Mais forte, mais eu.
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Quem sou eu
Há quem já consiga isso e não sei se são de todo felizes. Porém, devíamos sempre ser capazes, ao menos nos primeiros momentos, de virar as costas e sair a passos largos sem nem olhar pra tras. Há experiências e experiências na vida. Porém tem coisas que, francamente, não precisávamos ter de lidar de maneira tão despreparada. Digo mais: mestre e sábio é aquele que um dia soube dominar seu coração e sua mente e fazer uso da razão num momento de emoção à flor da pele e também na medida certa soube usar da emoção diante de questões puramente racionais e lógicas. Mestre é aquele que soube ter este equilíbrio. Eu não passo do último miserável aprendiz destas habilidades. A cada falha, parece que com mais precário equilíbrio eu retorno. E acabo por me render aos extremos, os pontos mais distantes do acerto.
Que vá tudo para o inferno! Cansei de vender respeito e consideração a prazo. Vender aqui é só metáfora, são coisas que não se compram nem se vendem. Estou cansado deste roubou de tempos em tempos, no qual me levam a dignidade, a sanidade e a motivação. Estou cansado de tentar dividir minha jornada, mesmo que eu esteja sendo injusto. Lomba acima, ou nos trechos pedregosos, ou nas noites de luna nova ou minguante, quase sempre me vi sozinho - principalmente por decidir que trilharia longe dos meus amigos, tomando um caminho errado, pensado que era necessário fazê-lo sozinho.
Vamos, digam algo! Que cansei de conter minha sinceridade. Cansei de ouvir, ver e sentir ao gosto alheio. Se sou medíocre, não será com as "virtudes" alheias que irei me regenerar! Eu faço por mim, com o que tenho, o nada mais pode ser feito.
Aos meus amigos, muito obrigado! Eu não merecia ser recebido de braços abertos, nem poder contar com vossos ombros. Para esta minha dívida, Deus que me dê vida longa para pagá-la.
Que vá tudo para o inferno! Cansei de vender respeito e consideração a prazo. Vender aqui é só metáfora, são coisas que não se compram nem se vendem. Estou cansado deste roubou de tempos em tempos, no qual me levam a dignidade, a sanidade e a motivação. Estou cansado de tentar dividir minha jornada, mesmo que eu esteja sendo injusto. Lomba acima, ou nos trechos pedregosos, ou nas noites de luna nova ou minguante, quase sempre me vi sozinho - principalmente por decidir que trilharia longe dos meus amigos, tomando um caminho errado, pensado que era necessário fazê-lo sozinho.
Vamos, digam algo! Que cansei de conter minha sinceridade. Cansei de ouvir, ver e sentir ao gosto alheio. Se sou medíocre, não será com as "virtudes" alheias que irei me regenerar! Eu faço por mim, com o que tenho, o nada mais pode ser feito.
Aos meus amigos, muito obrigado! Eu não merecia ser recebido de braços abertos, nem poder contar com vossos ombros. Para esta minha dívida, Deus que me dê vida longa para pagá-la.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Não bem em uma espiral rumo ao chão.
Num rasante, sem nunca arrasar o solo com seu bombardeio, assolou tudo lá embaixo com sua própria queda. O que fiz há pouco foi um pouso forçado. O rosto suado, o ar tenso, penso se há muitos danos. Daqui não será possível decolar novamente, quase concluo. Ousei sair do cockpit e vi que o céu escuro já se tinge levemente com os tons decididos de uma aurora que talvez ainda tarda por chegar. Ao longe, sem saber o quanto, apenas consciente de estar distante, vi um hangar. "Que sorte a minha!", logo pensei. Só me restou caminhar até lá. Ainda não cheguei. Não sei se chego. E quando chegar, o que haverá ali? O que farei? Não sei. Esqueci até então de que ainda estou vivo.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Lá longe
Tenho medo de me iludir, mas vejo la longe uma luz que ameaça esse breu. Não, nada de trem, pois não há trilhos sob meus pés. Posso até ser um vagão perdido, por outrora ter me desgovernado. Mas se eu realmente fosse, nestas pedras eu estaria encalhado! Sinto que me movo. Percebo também que me refaço. Às vezes pensamos ter caído quando apenas diminuímos. Vemos que não nos cercam cacos. Somos apenas nós, voltando aos poucos à percepção da nossa verdadeira dimensão - voltando ao normal. Que cacos que nada, são só pedras que la de cima não se percebiam. Não são pedaços meus, do eu espatifado. Não caí, e não encolhi. Apenas voltei a ter noção do meu tamanho. E as coisas simples voltam a ser simples e não simplórias - quanta arrogância a minha.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
No amor e na dor, há poesia...
Escrevo por desespero
Pois espero sincero
Não ver o enterro
Daquele amor eterno
Que noutro inverno
Proclamamos em tantos versos.
Não concordo ao afirmares
Que buscamos um ao outro
Por nossos mares tão revoltos
Nos impelirem de encontro
Ao socorro sôfrego
De fantasias ali criadas.
Lavadas as lágrimas
Daquele tempo doído
Um segue talvez sorrindo
E outro sorri feito doido
Varrido de dor e tristeza
Com a certeza de que a espera
Que disseste agora ser fantasia
É a prova da verdade
do que aquele tempo nos dizia.
Pois espero sincero
Não ver o enterro
Daquele amor eterno
Que noutro inverno
Proclamamos em tantos versos.
Não concordo ao afirmares
Que buscamos um ao outro
Por nossos mares tão revoltos
Nos impelirem de encontro
Ao socorro sôfrego
De fantasias ali criadas.
Lavadas as lágrimas
Daquele tempo doído
Um segue talvez sorrindo
E outro sorri feito doido
Varrido de dor e tristeza
Com a certeza de que a espera
Que disseste agora ser fantasia
É a prova da verdade
do que aquele tempo nos dizia.
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Falso equilíbrio
É muito recente o abalo que me fez perder o equilíbrio. Que me prive momentaneamente do movimento firme, mas não da sanidade, que vejo às vezes esvaíndo-se. Ando atento e pouco durmo, cuidando do que penso, contornando algumas coisas que sinto. Isolando alguns sentimentos, tentando mantê-los à distância. Há impulsos físicos, como correr ao telefone, escrever escrever escrever, talvez até pegar um ônibus. A contragosto, dou atenção às finanças e à busca por um emprego. Quase como uma benção, encontro meus amigos sempre dispostos a conversar sobre qualquer coisa, pacientes quando chego ao assunto recorrente. Confesso que não esperava, pois não sei se mereço, receptividade tão camarada. Mas dizem e concordo, amigos mesmo são sempre amigos. E eu os tenho.
Se estou de braços abertos ao meu passado recente, é verdade. Nenhuma raiva, rara revolta, pouca mágoa, mas alguns porquês. Questão de tempo, momento de andar lento. Mantenho o movimento, pois logo os passos poderão ser mais largos e tempo volta a correr. Por ora, se arrasta. Mas não deixo parar. Já consigo esperar também por outras coisas - meus currículos, que a pouco soube foram com uma informação errada, devem frutificar em alguma coisa. Deus do céu, se eu não cuidar, daqui a pouco enlouqueço!
Se estou de braços abertos ao meu passado recente, é verdade. Nenhuma raiva, rara revolta, pouca mágoa, mas alguns porquês. Questão de tempo, momento de andar lento. Mantenho o movimento, pois logo os passos poderão ser mais largos e tempo volta a correr. Por ora, se arrasta. Mas não deixo parar. Já consigo esperar também por outras coisas - meus currículos, que a pouco soube foram com uma informação errada, devem frutificar em alguma coisa. Deus do céu, se eu não cuidar, daqui a pouco enlouqueço!
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