segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Remédio pra dormir

O remédio pra dormir já surte efeito. O corpo pesado, aos poucos reclama pelo repouso. Vontade seja feita, mesmo que imposta e artificial. O sono que me vem, vem bem. Uma segunda-feira a menos, meio mês também. Estas são palavras que apenas balbucio em meio a um bocejo. Boa noite...

domingo, 16 de outubro de 2011

Neste passo


Penso que não flerto,
mas meu passo é incerto.
Espero que meu gesto
expresse o apreço
que mereces.
Que complete o aceno
o sorriso sereno
que mantenho  quando
em ti eu penso.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Esse silêncio

Esse silêncio me mata. Antes fosse letal, ligeiro. Porém, não. Corrói pacientemente, pedaço por pedaço, esse silêncio que nem eco ao que faço faz. Já dei vários passos, quis ir em frente. Achei que seguia um vulto mas me vi andando a esmo atrás da minha própria sombra. E se eu gritasse? Se eu deixasse de lado o sutil "Como estás?" pelo "Tu podes, pelo amor de Deus, dizer-me que está tudo bem?"
 Lembro de quando tudo aconteceu. E não esqueço que senti cada minuto das palavras "solidão" que li. Já esqueço dos meus minutos para continuar sentido aquela solidão que não é a minha, me perguntando se um gesto mais brusco, mais persistente, não descobre uma inércia na qual submerges, cativa sem relutar, à misantropia de antes. Sei que esqueço da minha, pelo apreço que tenho a ti.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Feriado, de novo

Amanheceu bonito, com aquele sol promissor - assim, tal qual meu humor. Passou o meio dia, nublou, esfriou e aqui estou, entediado.
 Às vezes eu me pergunto se não estou sendo injusto ou mal agradecido com a vida. Bem ou mal, sobre certos aspectos, eu não posso reclamar. Porém, quem de nós já se sentiu plenamente satisfeito? Não penso que seja uma mania de reclamar... é aquela busca constante que nos põem em movimento - a busca incansável por uma situação melhor que a atual.
 Não tinha me dado conta disso, mas muitas vezes costumamos dizer: "sempre pode piorar". Entretanto, diante desse constante "sentimento insatisfeito", creio que somos intimamente otimistas: buscamos sempre melhorar a situação atual que nunca nos satisfaz por completo, por que "sempre pode melhorar".
 Desejo que isso impacte positivamente a outras pessoas além de mim - ao menos, vale a reflexão eu acho...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quinta furtada

Daí que me furtei esta noite de quinta. Além do delito, o egoísmo: furtei só para mim. Uma noite pra ir dormir cedo, uma noite pra tomar um banho e ficar à toa, um a noite, enfim, por mim. Muitos - como eu - cavam uma brechinha aqui, outra ali, pra dar uma adiantada em algo, ler algum texto ou livro, iniciar um trabalho ou outro da universidade ou, pra organizar a mochila, a bolsa, a mesa do computador, os e-mails, etc, etc, etc...
 Hoje eu "puxei o freio de mão e encostei". O "barulho motónoto do carro em linha reta" já estava me dando sono! Parei, nem que seja para "chutar umas pedrinhas no acostamento". Desliguei o "radar das analogias", essa noite eu vou extravasar um pouco. Vou dizer bem claro que estou com saudade de ti - e muita! - vou admitir que há vários trabalhos que estou deixando pra última hora e, fugindo da regra mais um pouco, não vou reclamar desse frio persistente: vou agradecer pela confortável noite que passarei sob vários cobertores, dormindo minha "noite de quinta furtada"! Mas não esquecerei de agradecer por ter uma cama, por ter um chuveiro com água quente, por ter comida e roupas, por ter uma casa e uma família, por ter amigos e, claro que sim!, por ter a ti, mesmo que seja apenas para pensar, com tanta saudade, que chega a doer!
 Uma ótima noite de quinta-feira para vocês!

domingo, 28 de agosto de 2011

Eu sou...

"(...)I am broadcasting on all AM frequencies. I will be (...) everyday at midday, when the sun is highest in the sky. If you are out there — if anyone is out there — I can provide food, I can provide shelter, I can provide security. If there's anybody out there — anybody — please, you are not alone."
I Am Legend

 Please, don't forget: you are not alone. I'm here, so far, but here. You know... 'cause baby, it's you.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pulo rápido

Costumamos dizer: "darei um pulo rápido lá", ou algo assim, quando nossa visita será breve. Bem, a coisa por aqui tem sido assim, nas últimas semanas e não tem dado tempo de escrever algo neste "pulo rápido".
 Pensando sobre isso, acho que a vida passa em muitos "pulos rápidos". Minhas semanas têm sido assim. Porém não quero escrever mais sobre um assunto tão batido: o tempo que sempre corre hoje mais que ontem. Ah... dane-se! O importante não é o quanto se corre mas sim o quanto se cobre: a distância que fizemos ao fim do dia, em linha reta. A correria tem que nos levar a algum lugar, embora eu aceite e acredite - e até o faça às vezes - que não temos a obrigação de sempre corrermos com um destino certo.
 Penso nos projetos que mudam mês a mês e penso naqueles projetos que permanecem inalterados diante do tempo. Não descobri nenhum padrão - tenho tentado racionalizar menos as coisas - "desmatematicalizar" a vida. Viver não é uma ciência exata. As pessoas são muito mais do que algorítmos complexos em modo randômico.
 Apego-me às lembranças, muitas vezes num surto de saudade. Nem sempre aquilo de que recordo me faz necessariamente bem - mas me remete a bons momentos. No fim, fica aquele vazio, aquela saudade, aquela falta.
 Embora eu não seja especialista em idiomas - nem falo francês - a palavra "saudade", que nesta língua é "manque", pode ser traduzida como "falta" e acho que é muito precisa em seu significado.
 A correria do dia a dia restringe os momentos em que posso ou me permito sentir isso. E nessas horas eu luto contra a racionalidade, fugindo dos cálculos exatos e das probabilidades. Procuro não fazer análises combinatórias para encontrar as possibilidades do que pode ou não vir a acontecer. O futuro - quero crer que felizmente - nos será sempre uma incógnita. Ou, uma variável a ser isolada...

domingo, 14 de agosto de 2011

Eu preciso dizer

Eu sinto que o tempo
passa perto e passa rápido.
Disfarço mas não minto,
nem pra mim nem pra ninguém:
eu te espero, mas tem horas
em que me desespero.
Serei sincero, prometo,
se me pergutares um dia,
como pude ser fiel
em minha poesia.
Juro-te, por este céu:
o que prometo em linhas,
só não cumpro se a musa minha
desejar o inverso dos meus versos.
Saudade, saudade, saudade...
quando puderes, acabe!
Não prive meus olhos do teu sorriso,
só o risco disso já me deprime.
Sou teu, de corpo, alma e versos.
Despeço-me, caso leias,
com um beijo, que minha boca anseia.
Se eu soubesse teu desejo...
saibas apenas que sim, é a ti,
mil quilômetros daqui, a quem escrevo.

Outro domingo

Outro domingo chega e sei que logo verei que se foi. As semanas voltaram a correr da maneira que constatei que sendo diferente não me agrada: eu reclamo da correria mas não vivo sem ela. Já provei da calmaria e só o que consegui foi me deprimir. Senti-me pouco útil, preguiçoso. Agora corro e sinto-me cansado, exigido... e vivo!

 Tenho tido mais cuidado com minhas analogias e creio que cabe fazer uma neste momento: sinto o peso da rotina, tal qual uma mochila cargueira nas costas. À minha frente, um longo caminho e, lá adiante, bem distante talvez - pois a distância nos engana às vezes - vislumbro o horizonte que tanto almejo.

 A saudade já não faz mais parte da carga na mochila. Não, não a deixei pelo caminho. Pelo contrário, passou a ser uma companheira de caminhada: segue ao meu lado. A saudade me acompanha, porém sinto que não cansa. Saudade sempre.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Recorro aos versos

Essas palavras escritas,
são batidas na aldrava
da porta sem guarita,
que não comporta
- vão esforoço! -
a saudade aflita.
Ouço um pouco,
mas não ouso!
Diante do furor,
me resta apenas compor
estas linhas finitas
com todo meu amor.

"Quando busquei a letra daquela música, li algo tão nosso... e aquela imagem fixou tão nítida e real em minha mente, que esqueci da minha solidão e penso ter sentido a tua. Vi a ti contemplativa... e aquele rosto a meia luz que conheci naquela noite, tão jovial, lindo e próximo, voltou à memória, com uma tristeza que me angustiou."

domingo, 31 de julho de 2011

Hipóteses

As chances de eu pular de paraquedas não estão nem um pouquinho acima de zero. Embora situações análogas sejam constantes. Assim como "zero" são as chances de saltar, igualmente a chance de eu me esborrachar no chão também. Embora sensações análogas serem possíveis... e o medo disso também. Tanto de saltar, quanto de me esborrachar. Segunda-feira vem chegando e vou descendo, com a mão firme na cordinha...

Macro foco.

 Há muito que busco as palavras certas. Já fiz poemas, escrevi contos, desabafei em linhas escrevendo como vinha o pensamento. Ainda sou muito novo e talvez um dia eu consiga a alquimia das palavras certas. No momento, não sei o que o momento pede: poesia? Uma crônica? Um conto? Escrevo, escrevo, escrevo...
 Bom dia a todos. Tá um frio danado aqui no sul.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os ventos mudam vez por outra...

Através da cortina verde-escuro do meu quarto, percebo que há sol la fora. E faz um lindo dia de inverno - sol, frio ameno, sem vento. O mesmo acontece dentro de mim, antagônico momento diante de ontem.
 "...se Deus quiser! Tudo, tudo, tudo vai dar pé...". 
Eu tenho fé. Onde quer que estejas, estou contigo, na constância do meu pensamento.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tempo virando

Tempo feio lá fora,
chuva sem demora.
O vento assovia,
o céu turva-se.

Fazia sol há pouco,
agora forte ouço,
trovões e ventania.

Há razões, eu sei,
para esta agonia.
O vendaval na rua
está em sintonia.

O que se passa em mim,
descrevo com analogia
ao mesmo temporal,
porém sem fim.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tanto para dizer

 Tenho tanto para dizer, que é difícil conter a ansiedade, o impulso de fazê-lo. Tem coisas que vou guardar comigo e, quem sabe um dia, poderei dizer, em tom de nostalgia, a saudade antiga à tona, tudo o que não pude, por não saber se era certo - o momento, o ato - de fazê-lo.

"A clave gravou na memória
e no peito sinto sem demora
a dor de ter a doce lembrança
da dança da luz sobre nós dois nus.
O teu alvo ombro de encontro
junt'ao meu corpo do qual o calor
ao teu soma-se e nos aquece.
Em tuas costas há uma marca,
que se destaca, tão delicada,
pela adequada sintonia
ao teu ser tão "notas e poesia".
O quanto quero, talvez o saiba,
ter teu tom, tua clave, teu rosto,
junto a mim, ao pé do ouvido,
cantando, sorrindo, feliz enfim."

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Brincando com o tempo

 Os blogs possuem uma ferramenta de postagem programada. Hoje estou em viagem à fronteira, logo, postei isto ontem. A funcionalidade dessa ferramenta me fez pensar.
 De certa forma, escrever para "publicar amanhã" é algo curioso. Pois escrevi ontem, 20 de julho, com certo humor, num determinado lugar, com um rol de sentimentos. Hoje, pra você que lê, estarei noutro lugar, noutro momento, com outros sentimentos. Se eu não voltar, mesmo assim, ali estará meu post.
 Acabo de escrever "ao futuro" e muitas vezes desejei escrever para o passado.
 Não sei em que lugar do Estado estarei quando isto for ao ar, mas posso assegurar: vou no sentido contrário ao desejo dos meus pensamentos. Uma ótima quinta-feira a todos - sexta-feira, volto a postar no presente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Poesia pouca

Poesia pouca,
voz rouca,
a rima surda,
palavra curta,
esta turba,
de sentimentos,
desatentos,
em desalento,
sem tato,
sem tempo,
tampouco,
o esboço
do pleno louco,
sereno sentado
no topo do poço,
da borda a contemplar
a corda e o balde,
belos a balançar.

Dia do Amigo

 Sem crédito no celular, não consigo expressar o desejo de um feliz dia do amigo àquelas pessoas que tanto me ajudam, tanto torcem por mim e tanto me querem bem. Há pessoas distantes, a quem eu gostaria de dizer, num abraço bem apertado: "Feliz Dia do Amigo, pra você também".
 Aos meus amigos, saibam que meu pensamento está com vocês neste dia, de maneira especial. Não só pelo que fazem por mim, mas pelo fato de vocês serem pessoas incríveis, verdadeiros amigos, que merecem toda a felicidade que a vida vos reserva.

 Feliz Dia do Amigo, a todos vocês.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Finalmente, ajuda

 Não sei quais palavras serão as mais adequadas. Neste momento apenas obedeço ao impulso de escrever, diante desta vontade que, como sempre, surge não sei de onde, sem hora nem lugar, e só passa quando as linhas já se vão, formando frases nem sempre coesas.
 Finalmente, ajuda. Não relutei um momento sequer e já agora vejo o bem que isto me fez. Só o fato de ter desabafado, de ter exposto o que se passa, já foi um alívio. Segunda-feira que vem, o diagnóstico talvez.
 Algumas Linhas seguem em reforma. E eu também.

domingo, 17 de julho de 2011

Caminhos

 Sentado ao lado do fogão à lenha, não percebo que o fogo se estingue. Meus pensamentos estão perdidos, dispersos em diversas direções, sem um objetivo específico, embora muitos deles estejam bem decididos quanto ao seu rumo.
 Definitivamente, não é mais um momento de indecisão. Saber o que precisa ser feito e onde se quer chegar, por ora me é bem claro. Os meios para isso não são do todo o maior problema. A vida, nesta sua constante e por tantas vezes incompreensível dança, nos priva de algo, ou melhor, protela nossos sonhos, e noutra hora, nos fornece meios e oportunidades de irmos em busca deles.
 Penso ser esta a forma que a vida nos instiga a fazer por merecer. Há pouco, eu reclamava dos meus "sei lá". Agora eu posso dizer: lá, sei que quero chegar. Estou feliz por saber ao menos que a vida não me tirou por completo esta possibilidade, embora urge de movimento e foco.
 Desta vez eu parto mais forte, ou menos enfraquecido: é uma questão de contabilizar os carinhos diante dos arranhões. Os primeiros, guardo com o mesmo carinho. Os últimos, assopro, ergo-me, e vou-me.
 Daqui a um ano, verei onde a vida me levou. Não deixarei dúvidas: desejo muito que me leve para perto, muito perto, do que desejo.
 Aqui, sempre algumas linhas do que penso e sinto, do que vivo - do que eu sou - exposto aqui pelo gosto de escrever, por às vezes precisar desabafar, pra nunca desistir.

sábado, 16 de julho de 2011

Sobre sonhos

 A liberdade pertence àqueles que não acorrentam seus sonhos. O chance de sucesso está naqueles que instigam seus sonhos. A felicidade é plena, àqueles que não desistiram e vêem seus sonhos concretizados.

Algumas Linhas em reformas daqui pra frente.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escolhas

Chegou o momento, eu acho, em que devo fazer uma escolha. E como novo princípio assumido de uns tempos para cá, só perco tempo com escolhas relevantes. E esta é uma dessas. Simples de explicar, nem tanto de se resolver: tenho que escolher entre me preocupar em curtir a época boa me preocupando ou não com a obviedade de que "isto também irá passar".
Olho para a janela com grades e através dela vejo uma nesga do céu cinza, desse dia nem quente nem frio, mas úmido, permeado por uma chuva reticente. Sei lá... e tenho dito tanto "sei lás" ultimamente. Às vezes penso que me cansarei no momento seguinte com essa repetição cansativa de "estado provisório" que minha vida assume. Quase tudo parece ser provisório. Por isso, sei lá... Sabe-se lá se quando lá eu chegar, saberei. Se agora viajo em devaneios sem sentido, isto até me conforta um pouco: nisto, não foi diferente até aqui.
 Tenho pensado em algumas revoluções. Porém, só o que consegui foram bons motivos para repensar as ações.  Ando sempre inconformado. Por isso, minha inconformação já está conformada consigo mesma.

domingo, 3 de julho de 2011

Manhã de domingo

Resolveu-se o sol erguer-se preguiçoso daquele lado do céu. O descaso deste astro não é, entretanto, o único culpado pelo frio que assola as bandas de cá. Tampouco o inverno que muito menos preguiçoso, faz suas corridas matinais, suas jornadas noturnas, e com afinco atua o dia todo. Por sinal, andou empolgado por estes dias, mandando uma garoa gélida - é um exibicionista, pois um povo espera neve na serra!
 O frio, como ia dizendo, tem também por culpada, ou em tempo de corrigir-me, o frio é acentuado, pela culpa de um fenomenal espaço de chão, por culpa de uma "psicologicamente extendida" semana pela frente, pelo friozinho - semente? - na barriga, que sinto diante do sol que nasce para mim por meios eletrônicos, vez por outra, num largo sorriso que vejo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mas o que foi que eu fiz?

Sinto meus pés molhados, gelados. Chove daquele jeito que deixa claro que não irá parar tão cedo. O fim de semana nem chegou e eu já sei que a segunda-feira vem aí, com toda a sua verdade. Mas o que foi que eu fiz? Que loucura foi essa? Tem horas em que penso que não passo de um fraco. Fugi, incapaz de ir além. Porém, o que posso fazer? Pedir aplausos por ser um zumbi guerreiro, acordando cedo, dormindo tarde, definhando aos poucos, amordaçando o que sinto e penso? E como é frio o vento que fustiga o rosto que se eleva livre enfim!

Torço para que seja apenas um momento passageiro. O que fiz, está feito. O que quis, ainda quero. Mas pra ser sincero, tem alguns momentos em que quase me desespero. Que loucura a minha! O que pensaram, sentiram, os escravos libertos, diante da porta aberta da senzala? Tenho medo do destino que muitos encontraram, livres do chicote, não menos livres da fome.

 Penso forte: é só um momento. Pra variar, extravaso aqui. O que me manteve em pé foi poder escrever, muitas vezes às escondidas.

 Revigorante é lembrar daquele sorriso, que chegou até mim pelo acaso, no tropeço sem querer, nestas "algumas linhas" por aqui... O que eu não daria por um colo e carinho no cabelo agora? Só pra acalmar o coração, fugir um pouco desse medo. Sei que logo passa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O pintor de folhetos.

O pintor larga o pincel, exausto. Quantos cartazes fizera naquela semana! "Promoção", palavra em negrito e letras grandes, bem podia dizer estar queimada em sua retina. Fechou os olhos, que ardiam um pouco. "Promoção", surgiu agora em branco, contra o fundo preto. Olhou a pilha de folhetos. Logo atrás, inacabada, sua tela do gramado aparado de flores belas, grama verde, trilho de pedras... Bela cena! Pena tal tela levar tanto tempo para render-lhe o que os cartazes de promoção lhe rendiam. O custo porém, vai além das tintas: aprisiona o prazer de pintar, postergando o desfrute de pintar pela arte. Infelizmente, a fome do estômago acusa-se mais aguda do que a fome da alma: mas esta última também mata.

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Esta crônica estará no site Opinião & Arte - acesse: http://opiniaoearte.com.br/?p=669

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Há, não há como negar

Há uma lógica por trás de tudo. Um plano traçado, pelo menos até certo ponto, por não menos do que um Observador privilegiado, que contempla a criação, talvez a Sua criação, de um ponto de vista fora do nosso alcance. Vou saber eu pelo que esperar? Só sei que da vida posso esperar tudo - e me surpreender sempre.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Materialização

O que escrevo pode ser o que espero, o que sinto estar por vir - o fruto imaturo adocicado pela ansiedade, colhido pela voracidade do desejo, porém, por ora, provado em devaneio de puro "supor".
À cena, sem cenário certo, sem hora, sem saber: chega até mim, ou eu que vou ao encontro. Chega e sorri, mas se sorri por fora não sei se há o mesmo sorriso por dentro - pode ser, inclusive, mais radiante do que o que posso ver. Se é maior que o meu sorriso, nem eu sei o quão radioso o meu sorriso será. Só sei que sorrio só, só em pensar naquilo com que sonho.
Mil quilômetros agora se resumem a três passos. Ou a trinta metros ainda - a imprecisão nem sequer toma tempo ou distrai meus pensamentos. Se corri, se caminhei, ou se esperei, já não importa. Mil quilômetros há muito são agora apenas milímetros de tecidos a separar dois corpos.
O que sinto? Cheiro? Vejo? Toco? Do presente do indicativo ao futuro do presente, o que sentirei, cherarei, verei, tocarei? Com que gesto, força, ou ordem? Não sei, não sei... mas, o que ouvirei? Terei como ouvir? Isto, posso providenciar.
"Baby it's you"? Sim, ótima escolha.

"What can I do? And it's true
Don't want nobody, nobody
Cause baby it's you"

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mudanças

A tal correria, pela qual supliquei, enfim chegou. Chegou junto a tanta coisa que dei-me por conta do quanto estou envolvido - não há tempo! E tanta coisa por fazer...
Sinto uma mudança brusca já não operando mais em surdina - caminha pisando firme, no soalho barulhento dessa pensão em que vivi nos últimos meses. Entro "neste quarto" e ainda vejo aquele "réptil", agora enrosacado em um canto, abandonado ao encontro dos dois rodapés. Ele ainda ensaia sair dali, ousa fazer tal menção. Mas já não tem força, já a sua repugnância provém do miserável ser que fora - pois vem deixando de existir, deixando de ser - não mais provém de sua aparencia patética. Vejo-me, e como era impensável isso, insultando este "réptil", aceitando-o como tal.

E este é meu expurgo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trecho do único poema em Esperanto que sei

"[...]
  Ahora venas guardo alia
  Estarigxos num sur loko mia.
  Mi iros dormi tute laca,
  Mi vidos vi en songxo paca."

"Agora vem o ourto guarda
postar-se em meu lugar.
Eu irei dormir totalmente cançado
Eu verei você em sonhos de paz"

"La nigra nokton

Perdoem-me os esperantistas, pelos possíveis erros de ortografia e gramática. Mas faz tempo que não pratico. E faz tempo, que não vou dormir em paz - como hoje. "Tute paca".

domingo, 24 de abril de 2011

Antes do mergulho

Estou prestes a mergulhar - pra ser levado por uma nova correnteza. Tarde, o ano começa agora para mim. Antes do mergulho, que fatalmente me privará do tempo para escrever, mas sem dúvida me dará nova vida para ter o quê escrever, queria registrar o que espero ser o último ato desse drama que prolonguei por alguns meses:

"Je t'aime trés! Et, Je suis à toi, pour toujours! Mon amour, Je suis manque toi... baisers, bonne nuit."

 Proferir com verdade e crer com fé nisto, é fato, somente eu. Até hoje. Quando fui acusado de exibicionista, por escrever um pequeno texto em francês, escrevia apenas por saber que gostava tanto deste idioma que talvez se sentisse feliz. Mas não. Além de tudo, eu não me importava com as pessoas, não é? No fim, a única verdade é que eu resolvi me importar com apenas uma, por considerar sua fragilidade, sua solidão, sua dor. Sonhei com dia em que finalmente veria a solidez, a felicidade, a alegria habitar, enfim, aquele ser. HÁ! Não cheguei a ver o que já havia ali, e que já dispensava meus cuidados, que já minavam minhas forças, roubavam minha identidade - minha sanidade sorrateiramente esvaíndo-se...

 Eu estou livre, daquilo no que fui meu próprio carcereiro: tua felicidade!

Votre rêve, oui, maintenant sans moi!



sábado, 23 de abril de 2011

Alento

Oh, momento de desalento!
Desatento de tentar, tento em vão
impor ação, dizer não ao estopor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mais uma ou menos uma Segunda-Feira - tanto faz

Sinceramente, não sei o que há. Toda segunda-feira tem sido assim. Ou melhor, todo domingo à noite, partindo do começo. Não raro, deito-me cedo, caíndo mais de tédio do que de sono. Quando pego no sono, é cansado de tanto rolar de insônia. Dali a pouco, amanhece segunda-feira.
 Época boa para acordar numa segunda-feira deprimido. Começam as chuvas dos meses antes do inverno. Inevitavelmente, segundas-feiras nubladas, frias, cinzentas, tediosas, lentas, solitárias. Rezo para ser salvo pela rotina do trabalho-aula-casa-trabalho-aula-casa, que recomeça semana que vem. E me digam qual a graça de se ter um feriadão do tamanho deste, quando não se está trabalhando? Quando não se está namorando? Quando se está cansado de tanto descansar? Quando aquela história do "agora quero ficar um tempo sozinho" já saturou e não aguentamos mais essa sensação constante de frio e ausência interior?
 É como se fosse possível falar para dentro de si mesmo (acho que o nome disso é introspecção) e ouvir o eco reverberar nas paredes frias desse ser sem amor, sem paixão, sem fogo nem lenha pra arder ou ao menos fazer fumaça!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Breve desabafo

Tem horas que não aguento a sensação (ou pressão?) angustiante do "devia ter dito". O pior é a metamorfose do "devia ter dito" em discursos ao vazio usando verbos no passado, referindo-me ao momento de agora. Que confusão, quanta angústia. Há momentos nos quais não me aguento, e me seguro. Porém me conforma o fato de que meu desespero não me impele em volver atrás, e recorrer a um contato direto - que seria impossível - levando-me a suplicar ou a despejar todo este lodo que me atola a mente - o que seria inútil. Breves, estes suplícios apenas ameaçam a continuidade do meu lento "ir em frente". Ou melhor - e sendo justo - inconstante "ir em frente". Pois há momentos em que o passo se faz mais ligeiro, é fato. Sob o tato de carinhos, ao som da voz de amigos, ao ar livre, céu azul e "verde perder de vista", é de coragem que inflo o peito. Infelizmente, ainda tenho meus fins-de-semana chuvosos - bem como as manhãs de segunda. E os sonhos que me perseguem, remetendo-me a cenas melancólicas de um passado a corroer minha sanidade.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Par perfeito

Vaguei por alguns perfis do Orkut (tédio dá nisso...), e me chamou à atenção a resposta para o "Par perfeito". Não era a primeira vez que eu via semelhante resposta: "não existe...". Porém, foi a primeira vez que me fez pensar. Existe. E é imperfeito.
Vá lá, é paradoxal assim mesmo. Um "par", para sê-lo, a de ser composto por duas pessoas. Que não existe pessoa perfeita, deixo para outra ocasião discutir. Agora, par perfeito é possível - e o arranjo das imperfeições de um com o as do outro, é o ponto chave, me parece. Possivelmente, ninguém é perfeito - e só não quero ser decisivo (nunca sabemos tudo...). Mas duas pessoas imperfeitas, conscientes disso e - não indiferentes, mas pacientes, com a imperfeição alheia - podem formar um par perfeito.
Confuso? Este é outro ponto chave: não se trata de não existir, mas sim de não ser facilmente compreensível. Sabe aquelas duas pessoas, juntas e felizes, cada um nas suas imperfeições, mas formando um par invejável? Há! Eis o par perfeito.
 Uma vez eu escrevi em código, numa imagem publicada no meu orkut: "pena que meu par perfeito já encontrou o seu". Eles não eram um par perfeito. Nem nós fomos, quando isto foi possível ser experimentado. Indiferença de um, impaciência de outro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ao Tempo o que é do Tempo

O mais poderoso de todos os Césares
Para além de Roma e os deuses de seus templos
É o Tempo, vagaroso, nunca velho, nunca idoso.

A coisa vai. E só dá tempo de dizer isso. Já posso parar para descansar, sem que o cansaço e a tristeza me façam estagnar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Frio e feio dia de março.

Massa de ar polar
entrando pela janela
devagar, lá vem ela:
abraça-me me enregelando!

Desgraça de dia feio
feito sem cor, sem graça.
É o céu cinza sobre tudo
e o agudo frio da brisa.

Frio fora, frio dentro
desalento sem desforra.
Que demora esse tempo

Passa perto, passa lerdo
verso ruim, sem calor:
o autor amassa e põe fim.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O céu lá fora.

O céu la fora é tão turvo quanto a clareza dos meus pensamentos. Nenhum alento. Se vem chuva, não sei. Mas o Sol se foi. De folga também? Não, só eu. O Sol se mostra noutro lugar. Para os lados de cá, às vezes aparece - "visita de médico!" - e logo se vai. Dá-me um pouco de sanidade, aviva as brasas do vapor, e lá me vou singrando contra a correnteza.
Mas e o Sol que noutro lugar penso estar a brilhar? Quiçá, sei eu algo de lá? Há! Se não foi arrancado, então com lâmina partiu-se, o tênue fio daquilo que chamou-se por conexão, telepatia, etc. Tenho uma cachola de engenhocas a produzir, assim que viro as costas, supertições. Pois nada sei.
Somos a nós mesmos o que nos convém ser. Não há como fugir - a sinceridade e a verdade vem de fora. Aquelas que trazemos conosco, nem sempre deixamos a mostra aos nossos próprios olhos.

O que melhor ensinamos é o que mais precisamos aprender.
(acho que é assim que ouvi).

domingo, 6 de março de 2011

Hai Kai

Errado esteja eu
mas no breu cerrado
o passado jazeu.

sábado, 5 de março de 2011

Ainda não

Não me espanto. Pois é fato - e já esperado. Ainda não estou pronto. Ainda não obtive a solidez, ainda não caminho com firmeza, ainda não respiro sem vez por outra suspirar. É que o roubo foi grande, as palavras foram duras, as verdades verdadeiras farpas sutis, insensíveis. Sei das besteiras que escrevi e disse, nem falo das que pensei ou supus. Mas quanta incoerência li, ouvi e concluí. Ainda não me sinto forte de todo. Ainda não consigo não pensar. Ainda não me soltei do nó "necroso" que me prendia a perna. A corda rompida de arrasto levo. Mas ali está o nó, não mais que um nada frouxo - firme e incômodo. Reprimo-me e num ato de quase insanidade, primeiro me insulto, depois insulto à lembrança - e frustro-me. Passado o arrombo, sigo. Ainda não...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Marcando passo

Não vou me permitir fantasiar as coisas assim tão facilmente. A situação podia ser ruim, eu podia estar noutra sintonia, muito deprimido e desgostado. É fato que vivo um momento singular dentre tantos outros momentos destes poucos 23 anos que constituem minha vida. Porém tem horas em que me parece fugirem do meu controle meus pensamentos. Insitem em vagar por bandas que já tratei de rabiscar em meus mapas como locais ermos. Faço apenas pouco caso do que tentam me mostrar. Às vezes, me atentam com impulsos de volver atrás, de dar uma "olhadinha" logo ali - é preciso concordar com "ela" : é muito provável que eu seja um masoquista.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Deixando o tempo passar

Confesso que há momentos em que manter a clareza das idéias e continuar caminhando tornam-se tarefas complicadas, exigindo delicada precisão. Um deslize pode comprometer toda a estrutura emocional. Espanto-me diante da constatação de que me deixei chegar a tal ponto. Uma vulnerabilidade e uma instabilidade emocional muito grandes, uma variação de humor constante, a intercalação de ânimo e desânimo. Quase todas as noites eu tenho sonhos. Quando acordo, acordo um tanto deprimido. Colocando-me em movimento - e aqui já começa o esforço contra a inércia - meu humor vai melhorando. Nas primeiras horas do dia preciso me concentrar para vigiar os pensamentos que me ocorrem. Preciso desviar a atenção de algumas idéias e focar noutras. Conforme vou me movimentando, seja caminhando, seja sentado no ônibus, vou ganhando mais força. Quando estou em meio a mais pessoas, mesmo que indiferentes, pessoas estranhas, o "clima parece mudar". Lá pelas 17h da tarde, sinto-me forte novamente. Consigo, mais tarde, deitar e dormir sem muitas angústias ou nenhuma. Mas ao chegar em casa, já recomeça o exercício de auto controle quanto aos sentimentos e pensamentos. Acho que pela manhã eu acordo com a defesa baixa e meu cérebro logo remete ao passado, às situações semelhantes, a pouca claridade, o vestir-se com a luz apagada, o sair sem fazer barulho, o olhar para a cama antes de fechar a porta, murmurar algumas palavras, e sair pensando na hora de chegar de volta para ver se naquele dia sobrariam-me migalhas. Agora, só o levantar pela manhã se assemelha. Mas nosso cérebro é uma coisa complicada de entender. Por isso, de manhã é minha hora mais crítica. Espero que o tempo passe logo e eu possa sobrescrever isso tudo e viver por completo mais feliz.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eu depois

Sentado me vi ao pé duma árvore, em meio a tantas outras, encharcado até a alma por aquela chuva torrencial. Era noite e mata fechada quando os estrondos ao longe chegaram perto e o temporal se fez medonho. Pouco lembro do muito que corri e do quanto me arranhei. Mal lembro do céu no qual as nuvens agourentas assomavam no horizonte, pouco antes de entrar e me perder nesta trilha. Trilha errada, já de início. E que trilhei e trilharia novamente, pois ali pude me ver fraco e pequeno como era preciso para aceitar refletir sobre minha visão deturpada das coisas. Porém a jornada foi dura, embora pude sorrir em vários momentos. Agora ali, sentado sobre o chão tão molhado quanto eu, pude sentir finalmente o cansaço. Vi também a nesga de céu límpido ampliar-se num largo firmamento a cada instante mais estrelado. Terminou. Embora a hora ainda traga sobre mim um céu de momento escuro, sinto que logo a aurora há de surgir. Sôfrego mas firme, ponho-me de pé. Lamento pelas fraquezas de certos momentos, que me levaram à injustiças. Porém é hora de seguir adiante. Mais forte, mais eu.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quem sou eu

Há quem já consiga isso e não sei se são de todo felizes. Porém, devíamos sempre ser capazes, ao menos nos primeiros momentos, de virar as costas e sair a passos largos sem nem olhar pra tras. Há experiências e experiências na vida. Porém tem coisas que, francamente, não precisávamos ter de lidar de maneira tão despreparada. Digo mais: mestre e sábio é aquele que um dia soube dominar seu coração e sua mente e fazer uso da razão num momento de emoção à flor da pele e também na medida certa soube usar da emoção diante de questões puramente racionais e lógicas. Mestre é aquele que soube ter este equilíbrio. Eu não passo do último miserável aprendiz destas habilidades. A cada falha, parece que com mais precário equilíbrio eu retorno. E acabo por me render aos extremos, os pontos mais distantes do acerto.

Que vá tudo para o inferno! Cansei de vender respeito e consideração a prazo. Vender aqui é só metáfora, são coisas que não se compram nem se vendem. Estou cansado deste roubou de tempos em tempos, no qual me levam a dignidade, a sanidade e a motivação. Estou cansado de tentar dividir minha jornada, mesmo que eu esteja sendo injusto. Lomba acima, ou nos trechos pedregosos, ou nas noites de luna nova ou minguante, quase sempre me vi sozinho - principalmente por decidir que trilharia longe dos meus amigos, tomando um caminho errado, pensado que era necessário fazê-lo sozinho.

Vamos, digam algo! Que cansei de conter minha sinceridade. Cansei de ouvir, ver e sentir ao gosto alheio. Se sou medíocre, não será com as "virtudes" alheias que irei me regenerar! Eu faço por mim, com o que tenho, o nada mais pode ser feito.

Aos meus amigos, muito obrigado! Eu não merecia ser recebido de braços abertos, nem poder contar com vossos ombros. Para esta minha dívida, Deus que me dê vida longa para pagá-la.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não bem em uma espiral rumo ao chão.

Num rasante, sem nunca arrasar o solo com seu bombardeio, assolou tudo lá embaixo com sua própria queda. O que fiz há pouco foi um pouso forçado. O rosto suado, o ar tenso, penso se há muitos danos. Daqui não será possível decolar novamente, quase concluo. Ousei sair do cockpit e vi que o céu escuro já se tinge levemente com os tons decididos de uma aurora que talvez ainda tarda por chegar. Ao longe, sem saber o quanto, apenas consciente de estar distante, vi um hangar. "Que sorte a minha!", logo pensei. Só me restou caminhar até lá. Ainda não cheguei. Não sei se chego. E quando chegar, o que haverá ali? O que farei? Não sei. Esqueci até então de que ainda estou vivo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lá longe

Tenho medo de me iludir, mas vejo la longe uma luz que ameaça esse breu. Não, nada de trem, pois não há trilhos sob meus pés. Posso até ser um vagão perdido, por outrora ter me desgovernado. Mas se eu realmente fosse, nestas pedras eu estaria encalhado! Sinto que me movo. Percebo também que me refaço. Às vezes pensamos ter caído quando apenas diminuímos. Vemos que não nos cercam cacos. Somos apenas nós, voltando aos poucos à percepção da nossa verdadeira dimensão - voltando ao normal. Que cacos que nada, são só pedras que la de cima não se percebiam. Não são pedaços meus, do eu espatifado. Não caí, e não encolhi. Apenas voltei a ter noção do meu tamanho. E as coisas simples voltam a ser simples e não simplórias - quanta arrogância a minha.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

No amor e na dor, há poesia...

Escrevo por desespero
Pois espero sincero
Não ver o enterro
Daquele amor eterno
Que noutro inverno
Proclamamos em tantos versos.

Não concordo ao afirmares
Que buscamos um ao outro
Por nossos mares tão revoltos
Nos impelirem de encontro
Ao socorro sôfrego
De fantasias ali criadas.

Lavadas as lágrimas
Daquele tempo doído
Um segue talvez sorrindo
E outro sorri feito doido
Varrido de dor e tristeza
Com a certeza de que a espera
Que disseste agora ser fantasia
É a prova da verdade
do que aquele tempo nos dizia.

Falso equilíbrio

É muito recente o abalo que me fez perder o equilíbrio. Que me prive momentaneamente do movimento firme, mas não da sanidade, que vejo às vezes esvaíndo-se. Ando atento e pouco durmo, cuidando do que penso, contornando algumas coisas que sinto. Isolando alguns sentimentos, tentando mantê-los à distância. Há impulsos físicos, como correr ao telefone, escrever escrever escrever, talvez até pegar um ônibus. A contragosto, dou atenção às finanças e à busca por um emprego. Quase como uma benção, encontro meus amigos sempre dispostos a conversar sobre qualquer coisa, pacientes quando chego ao assunto recorrente. Confesso que não esperava, pois não sei se mereço, receptividade tão camarada. Mas dizem e concordo, amigos mesmo são sempre amigos. E eu os tenho.
Se estou de braços abertos ao meu passado recente, é verdade. Nenhuma raiva, rara revolta, pouca mágoa, mas alguns porquês. Questão de tempo, momento de andar lento. Mantenho o movimento, pois logo os passos poderão ser mais largos e tempo volta a correr. Por ora, se arrasta. Mas não deixo parar. Já consigo esperar também por outras coisas - meus currículos, que a pouco soube foram com uma informação errada, devem frutificar em alguma coisa. Deus do céu, se eu não cuidar, daqui a pouco enlouqueço!

domingo, 30 de janeiro de 2011

A vida nos exige

Eu não queria estar nesta situção em que me encontro. Sentindo-me roubado e sozinho, infeliz e com medo. É como se toda a coragem fosse me tomada de súbito. E pra seguir adiante eu preciso buscar força e coragem apenas dentro de mim, onde eu encontro uma escassez assutadora destes itens. Ora a indignação, ora o desespero, mas raro, muito raro ainda, a perspectiva diferente da situação me ocorre. A vida nos exige muito, talvez porque temos muito o que aprender em pouco tempo. Mal conquistamos algo, ou chegamos muito perto e o prazo estoura, e a vida tráz novo revés. Perdi a coragem de fazer analogias e não desperdiçarei o pouco de coragem que encontrei para fazê-las.
Só sei que mais uma vez escrever está sendo uma válvula de escape. Não um refúgio, por que não o sinto assim. Mas uma forma de botar pra fora toda esta angústia. Eu queria acreditar que tudo logo passa e não passa de uma transformação, uma parte do caminho que tenho de fazer sozinho, para que minha companhia tenha certeza de que andar comigo não me tira do meu rumo e que sou capaz de me separar quando houver necessidade.
Mas estarei outra vez fantasiando, criando algo no que desesperadamente irei me agarrar, com o que irei me iludir, e consequentemente, me esborrachar. Estou me sentindo um trapo. Mas dizem que isso passa. E já nisso me apego, desesperado. O brabo é a falta de carinho, pouco antes também ausente, mas ainda possível. Agora, sendo sincero comigo mesmo, impossível e irreversível. Talvez, dissera, possa se reverter. Prefiro nem pensar, para não aumentar a angústia.